AMOR E DESESPERO

Pintura Acrílica sobre Madeira
1,80 metros de diâmetro.

“Amor” e “Desespero” que foram as duas primeiras palavras que lhe ocorreram de imediato quando lhe contaram a lenda do “Beijo sem fim”.
Assumindo uma abordagem abstrata, a artista tenta alcançar e abarcar sentimentos, sensações, impressões nas formas mais puras, procurando a figuração da matéria que compõe conceitos/sentimentos tão vivos nesta bonita e cruel história dos dois amantes: amor, paixão, vida, morte, dor, luz, sombra, inocência, desespero...

Nesta dualidade enaltecem-se os opostos onde encontramos duas entidades, uma mais inocente e pura outra mais rude e violenta, vítimas cada qual da vida que as transportou até aquele momento em que os seus olhos se cruzaram pela primeira vez. A antítese separou os amantes, seja pela sua cultura, seu credo, as suas diferenças tão gritantes... Talvez essa a mesma razão porque se atraíram esses opostos, mas uma vontade maior os impediu de viver o seu desejo, culminando num momento congelado para todo o sempre, e para sempre seu.

O formato circular das pinturas é também ele simbólico. Em diversas culturas o círculo representa a perfeição, o fogo, o destino, o movimento do Sol, da Lua e dos ciclos das estações. O círculo é também uma forma de medir o tempo. O tempo circular e cíclico da tradição e da Antiguidade opõe-se ao comum e moderno conceito de tempo linear. Tanto na Babilónia, como na antiga Grécia ou nos primeiros tempos da cristandade, o círculo simbolizava a eternidade. O beijo de Sortelha é também ele eterno e a aldeia encerra-se também ela numa forma circular e do alto impõe-se ao tempo.